BLOG CASTRO MAGALHÃES

Editor: Carlos HB de Castro Magalhães (MTb 0044864/RJ)

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        Recordo-me de textos do primeiro semestre de faculdade: homo faber, homo labor, Hanna Arendt, Tércio Sampaio Ferraz Júnior e aquelas discussões sobre o homem da sociedade industrial e coisa e tal. Lembro-me também de uma aula de biologia em algum momento do ensino médio, e a classificação do homem como um mero homo sapiens, isto é, o homem que conhece, que sabe.

        Fiquei feliz, todavia, em ver que não somos só nós os homo sapiens. A ciência descobriu e corrobora que o macaco é também detentor de conhecimento. Ele sabe e também consegue produzir saber – é claro, numa escala muito rudimentar em relação ao homem. Daí então alegrou-me mais ainda a nova classificação que surgiu: não somos apenas homo sapiens, mas somos hominídeos que sabem que sabem, somos homo sapiens sapiens. E mais, contrariando toda a visão racionalista do século XVII, nós somos também homo demens – temos um lado de demência, no sentido daquilo que não é à primeira vista lógico: as emoções, a criatividade, os comportamentos ditos irracionais, a loucura, a criatividade, as alucinações, a arte, as sublimações, a religiosidade dentre outros. Estas coisas são finalmente reconhecidas como estruturais do ser humano.

         Racionalidade é uma coisa boa pois significa a capacidade ou o valor de se adequar os meios aos fins pretendidos. Racionalismo é viver à luz da reta razão – o que se mostra insuficiente pois há a demência do ser humano; esta demência não é uma variável que se possa medir. Povos não racionais tinham sua racionalidade. Quando Paulo nos fala de culto racional e do preparo a explicar as razões da nossa fé ele esta falando da demência do culto cristão – demência esta que pode ser logicizada – expressa em palavras; e manifesta em culto não da razão, mas com racionalidade – adequando os meios de adoração ao fim correto: a glória do Deus adorado. Deste modo, uma fé que não pode ser expressa é uma demência desconhecida; e um culto que destoa do fim a que se destina é repelido.

        Diz-se, assim, que as coisas de Deus são loucas – pois na verdade, a loucura dEle é sabedoria para nós. Mas não se diz que esta demência fique sem expressão verbal – daí Paulo nos falar da loucura da pregação. Aliás, é exigência da fé cristã que só seja aceita a demência que seja capaz de ser expressa. Estas experiências de alguns cristãos que dizem “senti algo que não sei explicar, só sei que é bom” ou ” é bom demais não sei descrever” isto é uma casca de banana. NÃO HÁ NA FÉ CRISTÃ EXPERIÊNCIAS ESOTÉRICAS, herméticas, de iluminados detentores do conhecimento oculto – embora esta seja uma ambição maçônica.

         Na verdade, a grande demência cristã é aquela que vem do espírito: a demência que é a mais alta expressão da realidade espiritual. Totalmente independente de qualquer pressão sobre o corpo. Em alguns, a demência se realiza pelo estímulo de drogas; em outros através de estímulos etílicos; outros utilizam a música e sua influência sobre a psiquê humana. Todavia Cristo fala em adoração em espírito; e Paulo diz que “o Espirito testifica com o nosso espírito”. Nietzche nos aponta o caminho inverso e na sua Vontade de Potência diz que “o espírito é razão menor da alma que é razão menor do corpo”. Espinoza fala em movimentos éticos citando pressão externa sobre o corpo. Santo Agostinho diz que o corpo está sujeito ao espírito, citando Paulo. Enfim, a idéia mundana é que a demência é resultado da ação física sobre o corpo e a cristã é que a demência independe do corpo, sendo dele isolada, mas sobre ele refletindo.

          Assim, cumpre-nos verificar qual a natureza da demência que vemos no culto cristão hoje. Se o culto público gera uma pressão sobre o corpo (a música, as danças) que se confunde com a idéia de devoção ou se é realmente uma expressão do nosso espírito, em verdade, que decorre do ser espiritual redivivo pela justificação e regeneração, teologicamente falando.

 

           Santa loucura…


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Uma resposta a “Homo sapiens sapiens demens”

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