1. Conforme previsto nos itens 2 de nossa nota de tendências de ontem o PT agiu na busca de uma coalização da Velha Política, chamando prefeitos e governadores para conversar, e envolvendo o Congresso na trama.
2. A convocação ao plebiscito é uma articulação para opor a classe média aos beneficiários do bolsa família, conforme previsto no item 5 da nota de ontem. Quer seja na expectativa de provocar uma reação contrária do Congresso à proposta – inclusive levando em conta o posicionamento do líder histórico do PMDB, Dr. Michel Temer, sobre o tema – quer seja buscando favorecer os votos dos beneficiários do Bolsa Família na eleição dos parlamentares constituintes.
3. Uma terceira tendência, ainda latente, derivada da convocação de Assembleia Constituinte específica é o fortalecimento da proposta de alguns setores de impeachment da Presidente Roussef. A convocação desta Assembleia, contrária ao posicionamento – e vexatória – do líder histórico do PMDB, e vice Presidente da República Michel Temer pode sem dúvida ser a senha para a Revolta final da base aliada, que, assim, ofereceria o mandato de Dilma em expiação da sobrevivência da classe política.
4. O governo e muitos observadores erram sobre a dinâmica e organização dos protestos. Mesmo com a saída do Movimento Passe Livre eles continuarão. E o padrão não precisa ser grandioso para que prossiga; isto é, diminuição de público não significará esvaziamento da causa. É uma guerra psicossocial, e a organização Anonymous traz consigo a expertise de veteranos das guerras cibernéticas da Tunísia, Egito, Líbia, Turquia e outros países. O governo erra imaginando que a ação é unicamente tática, restringindo-se à arregimentação de pessoas pelas redes sociais. A ação é também, e sobretudo, estratégica, de obtenção e distribuição de dados e informações, bem como seleção pensada de melhor oportunidade e medida de cada ação. Essa guerra deflagra um ciclo de desobediência civil, que pode ser mais ou menos intenso e denso, e que já está presente hoje. Esse ciclo poderá vir a ser administrado para causar danos à atividade econômica do pais, e sobretudo à arrecadação fiscal, pela via do dano à atividade econômica. Empresas de segurança patrimonial, terão aí, uma tendência positiva; as de seguro, negativas.

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