
Circula na rede mundial de computadores um banner que propagandeia que todos os seres humanos – em seu estágio embrionário – seriam mulheres, pois o cromossomo Y ainda não estaria ativado. Em inglês, o poster contém a inscrição: “All humans begin as female. The Y chromossome – which is only present in males – is not activated in the first 5-6 weeks of embryonic development“.
Eu estudei biologia no ensino médio, e me lembro com alguma clareza das aulas de biologia ministradas pelo professor Ricardo França no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Sei que uma coisa é o genótipo e outra coisa o fenótipo. No caso da propaganda ideológica constante do banner, é claro que quem o fez abusa da ignorância das pessoas sobre biologia : fenótipo é a expressão visível de um tipo genético (o genótipo). Assim, o fato de o cromossomo Y não estar ativado não significa que ele não esteja presente. E como o embrião está se formando, não há fenótipo feminino discernível ainda.
A propaganda nos remete ao abuso que os ativistas políticos fazem dos vícios cognitivos das pessoas. Uma mulher maltratada por homens aqui; outra num mal momento acolá; um homem com a consciência culpada e baixa auto-estima em outro lugar; e todos com uma predisposição afetiva para aceitar tipos de propaganda como este, que pertencem à maléfica coleção do nós contra eles à serviço da falsa patrola igualitária. Imaginemos, então, propagandas desse tipo – não só feministas, mas esquerdistas em geral – em proporções tsunamicas sendo absorvidas e moldando a cognição do povo. É uma fábrica de ensinar a pensar errado. Não à toa vemos dia a dia e em escala erros cognitivos como simplificações, reducionismos e generalizações em todo lugar desse país.
Talvez seja a hora de rejeitarmos slogans; talvez seja a hora de exigirmos que quem pretende transmitir uma ideia não o faça mais em poucas palavras e por figuras; talvez seja a hora de mandarmos quem grita palavras de ordem sentar, respirar fundo e expor com lógica, início, meio e fim as suas ideias. Se as tiver.

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