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Editor: Carlos HB de Castro Magalhães (MTb 0044864/RJ)

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maluf3Paulo Maluf em entrevista a um órgão da mídia disse que  “Deus vai perdoá-lo após a sua morte pois ele fez muita coisa boa“. É a normalidade do pensamento brasileiro sobre o julgamento divino após a morte. É o que na Bíblia se chama de justiça própria, uma forma de pensar pela qual o indivíduo se auto justifica de seus pensamentos, palavras e obras condenáveis por Deus.

Diz-se que a justificação pelas obras é a posição doutrinária do catolicismo; mas isso é um erro. Na verdade a doutrina católica ensina a justificação pela fé mais obras; os reformados, protestantes e evangélicos creem em justificação pela fé somente.

Porém, em qualquer caso, sempre vemos a persistente justiça própria atuando. Entre os católicos, já na conceituação com adição das obras à fé; entre os evangélicos, na sua mistura com os desenvolvimentos da fé do fiel que supostamente aderiu à crença na obra vicária de Cristo como suficiente para salvação.

O Concílio de Trento designa como justificação não só o ser declarado justo por Deus mediante a obra sacrificial de Cristo, mas também as obras do fiel católico neste processo. A doutrina da justificação pela fé somente, dos protestantes e evangélicos, designa como justificação a imputação que o fiel recebe de justo por Deus, mediante a crença no sacrifício de Cristo. Recebendo a fé como um dom de Deus, o fiel é regenerado e crê na obra sacrificial de Cristo, sendo justificado, e todo ato de bondade e santidade que faz a partir de então vem dessa regeneração e imputação feita por Deus, e não da justiça própria. Alguns creem que o indivíduo crê e só depois é regenerado – estes são os arminianos.

Mas sempre persistirá o erro da justiça própria, seja entre os católicos e também entre os evangélicos. Os evangélicos que escapam das religiões parasitárias encrustadas em muitas das suas igrejas (p.ex., o teísmo moralista, que substitui as obras da fé por uma lista de proibições morais; os entusiastas, que pensam conhecer a divindade através das sensações e emoções; os panteístas da teologia da prosperidade, com o seu simulacro de evangelho; o pessoal do Evangelho Social, com seu ativismo ideológico) ainda têm que lidar com 2 erros muito disseminados de compreensão prática da justificação pela fé – erros esses logicamente decorrentes da contaminação pela ideia de justiça própria.

O primeiro erro é pensar que uma decorrência da justificação pela fé é o desempenho. O fiel, aí, acredita que deve desenvolver uma performance de santo, ativista, fiel ou religioso. Ele procura desempenhar bem a função de crente, sendo fiel nas contribuições, trabalhos na igreja, vida moral, etc. Porém, todo esse desempenho é  propositivo para salvação; não é feito como gratidão ou amor a Cristo por Seu sacrifício, sem pensar em si mesmo. Não há, nesse fiel, descanso quanto ao destino da alma; mas uma performance auto assecuratória de que é salvo do inferno e compensatória do poder do pecado.

O outro erro é o fingimento inconsciente ou mimetismo. O crente, aí, ao invés de descansar em Deus e cultivar os desdobramentos da justificação pela fé que percebe em si, começa a “operar” ele próprio esses desdobramentos, fingindo as atitudes de um regenerado ou copiando-as de outros. A fagulha, aí, é também a justiça própria, pois o fiel toma em suas próprias mãos a realização das sua obras de moralidade e aperfeiçoamento. Muitos acabam praticando ascese e acham que os frutos desta são evidência de regeneração.

Enfim, Paulo Maluf falou o que no final das contas a maior parte dos brasileiros pensa; talvez alguns não falem isso, mas sem dúvida têm prática cristã contaminada com a mesma justiça própria dele. Como ensina a doutrina da total depravação do homem, o pecado (e aí a justiça própria) contaminou TODAS as áreas da vida humana (ainda que não absolutamente, pois se assim o fosse a civilização seria impossível). Em qualquer esforço humano para voltar ao mundo ideal, ao mundo do paraíso – à presença de Deus – haverá o vírus da justiça própria. Somente a fé na obra redentora de Jesus Cristo  é a proposição possível para nos conduzir ao mundo ideal, ao mundo do Paraíso. Somente ela nos liga desse sofrido mundo real ao bendito mundo ideal.

No final, quase todos serão condenados por Deus pois, como disse Nosso Senhor, “estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que o encontram“.


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