
É usual no Brasil a invocação de expressões como “não era a intenção” ou “fulano ou sicrano fez isso, mas tem bom coração” para a auto justificação ou a imputação de justificação a outros – ou ao menos uma isenção ética – pela conduta reprovável, geralmente quando causa algum mau resultado.
O texto abaixo é parte do verbete INCONSCIENTE constante do Dicionário de Ética Cristã, da editora Cultura Cristã, e vale a pena a leitura com reflexão devocional do mesmo:
” A Bíblia diz algo a respeito do inconsciente? Moisés, no Salmo 90.8, diz: “Diante de ti pusestes as nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos” (hebraico ‘alam, segredo, coisa secreta, escondida). Estaria ele se referindo a pecados inconscientes? Certamente, ele o faz no Salmo 19.12: “Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas (hebraico cathar, escondido, secreto)”. Paulo, escrevendo aos Romanos sobre o conhecimento tácito que os incrédulos têm da lei de Deus, diz: “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemuhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Cristo Jeusus, julgar os segredos dos homens, de confromidade com o meu evangelho” (Rm. 15.16) mostrando que há um testemunho consciente do coração com respeito à própria condição; escrevendo aos coríntios sobre a efetividade da profecia, ele diz: “tornam-se-lhes manifestos os segredos (grego kruptos, secreto, escondido) do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós” (I Cor. 14.25), mostrando que há também segredos do coração a serem descobertos, os quais antes não eram manifestos. Além disso, as Escritura falam de segredos enganosos do coração, os quais poderão ser inconscientes: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto: quem o conhecerá? Eu o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações” (Jr. 17:9, 10); e que deveriam ser descobertos: “Como águas profundas, sãos os propósitos do coração do homem, mas o homem de inteligência sabe descobrí-los” (Pv. 20.5). A conclusão ética é de que o homem é responsabilizado até mesmo pelos seus atos inconscientes” (Orville S. Walters, B.A., Ph.D., M.D., F.A.C.P., professor clínico de psiquiatria da Universidade de Illinois-Peoria, com atualizações de Wadislau Martins Gomes)

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