Assisti o vídeo com a mensagem do Pr. Silas Malafaia tentando refutar a doutrina da Predestinação. O que depreendi de tudo ali foi muito lamentável: apenas uma citação contínua de versículos, sem que estes dialoguem entre si e com os demais – inclusive os versículos que têm um sentido contrário e manifestam aparente contradição dentro das Escrituras. Não só isso: os versos são lidos deslocados da centralidade de Cristo na redenção, bem como dos atributos de Deus e da doutrina da Trindade. É como se não interessasse, numa carta, as características de quem a escreve; é como se as partes de uma carta não se relacionassem e também não falassem dos vários temas em comum que sempre falaram antes. São apenas citações de versos bíblicos, aproveitando-se do aparente sentido favorável à sua defesa do momento – o livre-arbítrio. O Pr. Silas Malafaia é um neo-ortodoxo à moda dos bairros da Leopoldina.
Por isso o título do presente denuncia que para o Pr. Silas Malafaia só é Palavra de Deus o que interessa a ele, e não a Bíblia como um todo; não os atributos de Deus, não o modo como cristãos de todas as épocas viveram a Palavra de Deus. Nada disso: a Bíblia só contém a Palavra de Deus, mas não a é, pois não há preocupação alguma com a Centralidade de Cristo, com o sentido das Escrituras, com os ofícios e atributos das Pessoas da Trindade e, principalmente, com a Glória de Deus.
Os calvinistas, pelos menos, na sua exposição doutrinária, não menosprezam os versos com aparência oposta, mas os compreendem bem e não os alijam da direção histórico redentiva que possuem, em Cristo, nas Escrituras.
No fim das contas, quem crê que a Bíblia é a Palavra de Deus sabe que é regenerado – os arminianos pensam que são regenerados porque creram; os calvinistas pensam que creram porque foram regenerados. A dúvida, no fim das contas, é sobre a ordem da salvação – nada de grave, nada que não passe de uma mera discordância teológica.
Menos para aqueles que são seletivos a ponto de definir o que é ou não a Palavra de Deus.

Deixe um comentário