O Estado de São Paulo, cumprindo sua sina desinformadora, estampou uma manchete com o seguinte título: “Dízimo alimenta lobby por abertura de templos”. Porém, no decorrer da matéria, não consegue em momento algum indicar um fato que aponte uma ação de lobby – motivado pela necessidade de dízimos – na luta pela garantia do direito constitucional de adoração religiosa.
A reportagem traz entrevista com pastores e políticos, o relato de uma fala de um pastor neopentecostal em um culto no domingo de Páscoa, e menções a dados de doação e arrecadação para igrejas. Ela deixa bem claro a diferença de impacto da pandemia entre as igrejas de centros urbanos e ligadas às classes médias e as mais distantes e mais pobres. Num parágrafo, usa uma referência do presidente da Frente Parlamentar Evangélica às queixas que este teria ouvido de uma queda da arrecadação por causa diminuição da presença nas celebrações. Essa referência é o que mais próximo há de um fato demonstrativo de lobbying. Porém, o jornalista, pouco investigativo, não quis saber do deputado do Avante quem eram esses pares e a que denominações religiosas ele se referia.
A matéria colaciona, ainda, opinião do pastor Ricardo Gondim que aponta que os neopentecostais lutam – para além dos dizimos – pela manutenção do seu peculiar discurso; como se isso – a manutenção de discurso religioso – fosse coisa de somenos. As pessoas têm o direito de manter e lutar por seus discursos – principalmente os de fé – mesmo que deles discordemos. Vê-se, aí, o proposito de rotular como desviante a própria prática de expressão religiosa.
Apesar de não apontar uma ação concreta de lobby motivada por dízimo e de expor que há outros interesses para além do financeiro a chamada e a manchete da máteria vinculam a luta pelo sagrado direito constitucional de culto ao interesse por doações dos fiéis. Esse é o padrão da imprensa que alimenta os nossos políticos e formadores de opinião!!



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