As salas de audiências não têm mais janelas
As salas de audiência, hoje, sem janelas,
Dão direto pro corredor, estreito e frio.
Quem tá dentro vê quem passa, um desafio,
Mas quem tá fora não enxerga as cenas.
Sem a luz do sol, que de graça ilumina,
Sem a vista da Baía, onde a barca se inclina,
Do sobe e desce dos aviões, do Albamar,
Das palmeiras, dos prédios, do mundo a girar.
Pessoas apressadas, vagarosas, pensativas,
Ônibus parados, vidas tão furtivas.
As salas, sem janelas, são anteparo,
Guardam o juiz, o gabinete, o amparo
.
Antes, o drama dançava com a luz do dia,
A presunção de inocência, em sua sinfonia,
Brilhava ao meio-dia, mas no poente,
Ia com o sol, levando o que se sente.
Casamentos, famílias, bens, contratos,
Confianças partidas, em tantos atos.
As salas de audiência, hoje, sem janelas,
Fecham o mundo, envergonham-se deste, de suas sequelas.


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