BLOG CASTRO MAGALHÃES

Editor: Carlos HB de Castro Magalhães (MTb 0044864/RJ)

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Tempos atrás, escrevemos sobre o exílio do cristão brasileiro em sua própria terra, como você pode conferir [aqui]. Naquele texto, abordamos o caráter telúrico da cultura nacional. Em “Tico-Tico no Fubá ou Da Vida Canalha Nada se Aproveita”, que você pode ler [aqui], discutimos a celebração da impermanência e a desvalorização dos pactos perenes entre homem e mulher em nossa cultura. Em “O Cristão Brasileiro Capturado pelo Sensualismo de Sua Própria Terra”, que você pode ler aqui, apresentamos uma gravação de um culto de passagem de ano da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, na qual se evidencia o contraste cultural entre a devoção centrada dos crentes e a ênfase sensorial dos ciclos entre os profanos.

Hoje, abordaremos a música Sensações, escrita e interpretada por Paula Fernandes, uma balada romântica que retrata o ciclo de um relacionamento contemporâneo entre homem e mulher. A canção, com sua bela melodia intimista, começa tratando do fim de um romance, em forma de lamento. A protagonista, após o término, afirma ser a prova viva de que nada é para sempre, remetendo à célebre frase de Vinícius de Moraes: “que seja eterno enquanto dure”.

Ela utiliza a metáfora do ciclo da água para expressar sua dinâmica romântica:

‘Eu me aqueço, eu endureço / Eu me derreto, eu evaporo / Eu caio em forma de chuva, eu reconheço / Eu me transformo’

O trecho retrata os relacionamentos como ciclos transitórios, utilizando o ciclo da água como símbolo de dissolução e regeneração, conforme Mircea Eliade discute em Patterns in Comparative Religion e Images and Symbols. Nesse contexto, o romance, baseado em sensações, possui uma natureza transitória. Isso é comum hoje: há pessoas que buscam fama, outras o dinheiro, e outras o romance. Este último, influenciado pelo caráter telúrico de nossa cultura, assemelha-se ao ciclo da água: liquefaz-se, condensa-se, evapora e retorna como chuva. Essa transitoriedade explica a alta taxa de divórcios, pois muitos brasileiros, imersos em sua cultura, não conseguem diferenciar casamento de romance.

Eliade discute os símbolos de perenidade, como a rocha e as árvores, entre outros. O Salmo 128 compara o chefe de família piedoso a uma árvore plantada junto a ribeiros; Provérbios 31 atribui características de solidez e perenidade à mulher virtuosa; e Isaías 61.3 afirma que os crentes são chamados “carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor”.

Por fim, a música Sensações é um belo documento do desastre civilizacional promovido pelo mainstream cultural brasileiro na vida das pessoas. Condicionados por novelas, filmes e músicas a estabelecer e vivenciar relacionamentos íntimos e amorosos com base em sensações, os brasileiros frequentemente se envolvem em relacionamentos não perenes, marcados por romances sucessivos, frustrações repetidas e divórcios em série. Esse contexto gera até novos vocabulários para expressar a dissolução e a fragmentação da aliança entre homem e mulher.


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