Por Carlos Magalhães, para o Blog Castro Magalhães
Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou seu apoio público ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em um contexto de crescentes tensões comerciais entre EUA e Brasil e de investigações judiciais contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações de Trump, proferidas em datas e ocasiões específicas, reforçam a aliança entre os dois líderes e têm gerado intensos debates sobre soberania nacional, interferência externa e paralelos históricos com pressões internacionais do passado. A seguir, detalhamos as principais manifestações de Trump, incluindo uma declaração de hoje, 28 de julho de 2025, com seus contextos e implicações.
7 de julho de 2025: Postagem no Truth Social
Em 7 de julho, Trump usou sua rede social, Truth Social, para defender Bolsonaro, afirmando que ele enfrenta uma “caça às bruxas’ e que “não é culpado de nada, exceto lutar pelo povo”. Comparando as acusações contra Bolsonaro às suas próprias batalhas legais, Trump sugeriu que ambos são alvos de perseguições políticas e pediu que o “julgamento” de Bolsonaro ocorra nas urnas, embora ele esteja inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. A declaração foi uma reação à aceitação de denúncias contra Bolsonaro pelo STF, que o investiga por tentativa de golpe após a eleição de 2022. O presidente Lula respondeu afirmando que o Brasil é soberano e não tolerará interferências externas.
9 de julho de 2025: Carta a Lula e anúncio de tarifas
No dia 9 de julho, Trump publicou uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Ele justificou a medida citando “ataques” a empresas americanas de tecnologia e a “caça às bruxas” contra Bolsonaro, descrito como “um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos”. Postada no Truth Social, a carta intensificou as tensões bilaterais, com Lula prometendo retaliações e reiterando que o Brasil não aceitará “tutela” externa. A menção a Bolsonaro ocorreu no contexto de seu julgamento iminente por suposta conspiração golpista.
15 de julho de 2025: Declarações em coletiva de imprensa
Em 15 de julho, durante uma coletiva de imprensa, Trump voltou a elogiar Bolsonaro, chamando-o de “um líder que ama o povo brasileiro” e que “lutou muito pelo Brasil”. Ele criticou o STF, afirmando que o julgamento de Bolsonaro é uma “perseguição injusta” e que ele “não é um homem desonesto”. No mesmo dia, Trump anunciou uma investigação comercial contra o Brasil, liderada pelo representante comercial Jamieson Greer, para apurar supostas práticas desleais e ataques a empresas americanas. A fala coincidiu com esforços de aliados de Bolsonaro para pressionar por sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, que conduz o caso no STF.
17 de julho de 2025: Carta pública a Bolsonaro
Em 17 de julho, Trump publicou uma carta aberta a Bolsonaro no Truth Social, com timbre da Casa Branca, expressando preocupação com o “tratamento terrível” sofrido pelo ex-presidente em meio a processos judiciais. Ele descreveu Bolsonaro como “um líder forte e altamente respeitado, que serviu bem ao seu país” e exigiu que a “perseguição” cessasse imediatamente. A carta foi publicada um dia antes de uma operação policial ordenada pelo STF, que impôs a Bolsonaro o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais e restrições de mobilidade. Trump vinculou as tarifas de 50% à sua resposta à situação.
28 de julho de 2025: Declaração em entrevista à Fox News
Hoje, 28 de julho, em entrevista à Fox News, Trump reiterou seu apoio, afirmando que “o Brasil está tratando um grande líder, Jair Bolsonaro, de maneira vergonhosa”. Ele criticou o STF, alegando que “estão tentando destruir um homem que colocou o Brasil em primeiro lugar”, e destacou a amizade entre os dois, mencionando encontros como o jantar em Mar-a-Lago em 2020. Trump vinculou as tarifas impostas ao Brasil à “injustiça” contra Bolsonaro. A fala ocorreu enquanto o STF avalia as alegações finais da Procuradoria-Geral da República, que pede a condenação de Bolsonaro por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe. A declaração coincidiu com protestos no Brasil contra as tarifas, que elevaram preços de produtos como café e suco de laranja.
Contexto e Repercussões
As declarações de Trump, incluindo a de hoje, ocorrem em um momento de crise nas relações Brasil-EUA, agravada pelas tarifas de 50% e pela revogação de vistos de juízes brasileiros, como Alexandre de Moraes, pelo Departamento de Estado americano. A pressão de Trump, que inclui ameaças de sanções sob o Global Magnitsky Act, é vista por muitos como uma tentativa de interferir no Judiciário brasileiro, gerando reações de Lula e de setores da sociedade que defendem a soberania nacional, menos em relação à China comunista. Contudo, é hipócrita rotular as manifestações de Trump como exclusivamente contrárias à soberania, uma vez que pressões semelhantes foram exercidas pelo presidente americano Jimmy Carter nos anos 1970 contra o governo militar brasileiro. Carter exigiu anistia e abertura política, medidas que beneficiaram diretamente muitos líderes políticos de esquerda, incluindo alguns que hoje estão no poder, como o próprio Lula. Assim como Carter, Trump justifica sua intervenção em nome de valores como justiça e liberdade, embora os contextos e objetivos sejam distintos. A imprensa brasileira, como o Estado de São Paulo, tem criticado Bolsonaro, chamando-o de “falso patriota” por sua associação com Trump, enquanto aliados como Eduardo Bolsonaro veem no apoio americano uma oportunidade para fortalecer o movimento bolsonarista, apesar de sua inelegibilidade até 2030. Analistas sugerem que a estratégia de Trump pode estar backfiring, com Lula ganhando apoio ao se posicionar contra a interferência externa, porém em alguns meses, as consequências econômicas serão fatais para o seu governo.
Conclusão
As manifestações de apoio de Donald Trump a Jair Bolsonaro, em 7, 9, 15, 17 e 28 de julho de 2025, destacam a forte aliança entre os dois líderes e o uso de medidas econômicas, como tarifas, para pressionar o Brasil em questões judiciais. A declaração de hoje na Fox News reforça essa narrativa, mas intensifica a resistência de setores brasileiros, que veem nas ações de Trump uma ameaça à soberania, embora paralelos históricos com as pressões de Carter revelem a complexidade do debate. Setores que se negam a negociar com Trump, no entanto, afirmam, tacitamente, lealdade a um movimento político liderado por Lula, um condenado por corrupção em processos da Lava Jato (cujas condenações foram anuladas por filigranas processuais), vinculado a movimentos com discursos antissemitas e cujo partido, o PT, mantém ligações históricas com grupos terroristas, como o Foro de São Paulo, e demonstra complacência com facções criminosas, como o PCC, em certas políticas de segurança. Enquanto Bolsonaro enfrenta restrições judiciais crescentes, o impacto das falas de Trump continua a alimentar a polarização política no Brasil, com desdobramentos incertos para as relações bilaterais e o cenário político.
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