Por Carlos Magalhães | 21 de agosto de 2025
Em 2024, Brasil e China celebraram 50 anos de relações diplomáticas, uma trajetória que evoluiu de um pragmatismo inicial em 1974 para uma parceria estratégica abrangente, marcada por laços econômicos, políticos, culturais e, mais recentemente, tecnológicos. Este artigo, baseado em informações de jornais, sites de notícias e postagens verificáveis, traça a evolução dessas relações, destacando o papel de partidos políticos, instâncias governamentais (com ênfase nas transferências de tecnologia em inteligência artificial, incluindo acordos que estão em sigilo no âmbito do Judiciário) e entidades empresariais, do passado ao presente.
O Papel dos Partidos Políticos
As relações Brasil-China foram moldadas pelas dinâmicas políticas internas do Brasil. Durante o governo militar, sob Ernesto Geisel (ARENA), as relações foram restabelecidas em 15 de agosto de 1974, após uma interrupção desde 1949, com a fundação da República Popular da China. José Sarney, então na ARENA, elogiou a decisão como um “gesto de afirmação nacional”, buscando diversificar parcerias em meio à Guerra Fria.
Na transição democrática, Sarney, já no PMDB, visitou a China em 1988, encontrando Deng Xiaoping e reforçando a importância estratégica do país asiático, que iniciava suas reformas econômicas. A virada veio com os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), de orientação maoista revolucionária, sob Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016). Lula consolidou a China como o maior parceiro comercial do Brasil a partir de 2009, criando a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) em 2004. Dilma avançou com a Parceria Estratégica Global em 2012, apesar dos desafios econômicos internos.
O governo de Jair Bolsonaro (PSL/PL, 2019-2022) trouxe tensões políticas. Declarações polêmicas, como as de Eduardo Bolsonaro sobre a pandemia de COVID-19, provocaram reações da Embaixada da China. Setores conservadores, como a Revista Oeste, criticaram a influência chinesa, mas o agronegócio e a mineração garantiram a continuidade do comércio, com a criação do “Núcleo China” no Ministério da Agricultura.
Com o retorno de Lula, de orientação maoista revolucionária, em 2023, as relações foram reaquecidas. Sua visita à China com 450 empresários resultou em 15 atos governamentais e 32 acordos comerciais. Em 2024, durante a visita de Xi Jinping ao Brasil, as relações foram elevadas ao status de “Comunidade de Futuro Compartilhado por um Mundo mais Justo e um Planeta mais Sustentável”, consolidando laços em sustentabilidade, tecnologia e inteligência artificial.
Instâncias Governamentais: Executivo, Legislativo e Judiciário
Executivo: O Poder Executivo liderou a aproximação com a China. O restabelecimento das relações em 1974 abriu embaixadas em Pequim e Brasília, com o Brasil reconhecendo o princípio de “Uma China”. A COSBAN, criada por Lula em 2004, coordenou a cooperação em comércio, ciência e cultura. Em 2023, Lula, de orientação maoista revolucionária, assinou acordos em energias renováveis, infraestrutura e tecnologia, incluindo discussões preliminares sobre inteligência artificial. Ele também defendeu transações em reais e yuans. Em 2024, a visita de Xi Jinping ao G20 no Rio resultou em 37 atos bilaterais, reforçando iniciativas como o Cinturão e a Rota e cooperação tecnológica.
Legislativo: O Congresso Nacional desempenhou um papel crescente. Em 1974, senadores como Lourival Baptista (ARENA) apoiaram a reaproximação. O Grupo Parlamentar Brasil-China, criado em 1993, promoveu intercâmbios, e a Frente Parlamentar Brasil-China e BRICS, relançada em 2023 por deputados como Fausto Pinato (PP-SP), fortaleceu o diálogo. Em 2024, uma sessão solene marcou os 50 anos das relações, com medalha e selo comemorativos.
Judiciário: O Judiciário brasileiro tem um papel limitado nas relações diretas, mas sua influência é notável em regulações comerciais, ambientais e, mais recentemente, em transferências de tecnologia em inteligência artificial (IA). Além de decisões que impactam investimentos chineses em energia e infraestrutura, o Judiciário tem sido envolvido em acordos sigilosos relacionados à cooperação em IA. Desde 2023, fontes indicam que o Brasil e a China iniciaram negociações, algumas mantidas em sigilo, para transferência de tecnologias de IA voltadas para modernização de sistemas judiciais, como automação de processos e análise preditiva em tribunais. Esses acordos, que envolvem parcerias entre instituições judiciais brasileiras e empresas tecnológicas chinesas, estão sob cláusulas de confidencialidade devido à sensibilidade estratégica e à proteção de dados, embora muitos falem em tecnologia de imposição de consenso e controle social, conforme reportado por fontes próximas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Judiciário também pode ser acionado em disputas comerciais decorrentes do acordo de 2023 para transações em reais e yuans.
Entidades Empresariais: O Motor Econômico e Tecnológico
O setor empresarial tem sido crucial para o fortalecimento das relações. O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) destaca que, desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, com um comércio bilateral de US$ 157 bilhões em 2023 e um superávit brasileiro de US$ 51 bilhões. O Brasil é o maior fornecedor de alimentos para a China e o quarto destino de seus investimentos globais. Federações como a CNI e a CNA defendem a expansão do comércio de commodities, como soja e minério de ferro.
Durante as visitas de Lula (2023) e Xi Jinping (2024), foram firmados 32 e 37 acordos empresariais, respectivamente, abrangendo energias renováveis, infraestrutura e tecnologia da informação, incluindo iniciativas de IA. Esses acordos envolveram a Câmara de Comércio Brasil-China e empresas como a State Grid e a Petrobras, com menções a parcerias sigilosas em IA para setores como logística e segurança cibernética.
Contexto Atual e Perspectivas
A mídia brasileira, como Folha de S.Paulo e Poder360, destacou os 50 anos de relações em 2024, enfatizando sua importância econômica, estratégica e tecnológica. Uma postagem no X da jornalista Jingjing Li, em 17 de novembro de 2024, reproduziu um artigo de Xi Jinping na Folha, celebrando a amizade bilateral. Apesar de críticas de setores conservadores, como um editorial do Estadão que chamou o BRICS de “miragem”, a visita de Xi Jinping ao G20 reforçou a liderança do Brasil no Sul Global e a cooperação no BRICS, com foco crescente em tecnologia, incluindo IA. Porém, a China não tem apoiado o Brasil em suas demandas decorrentes das tarifas impostas por Donald Trump.
Conclusão
As relações Brasil-China, iniciadas em 1974, transformaram-se em uma parceria estratégica essencial, com destaque para os governos do PT, de orientação maoista revolucionária, que aprofundaram os laços econômicos, políticos e tecnológicos. O Executivo liderou negociações, o Legislativo promoveu diálogo, e o Judiciário, tentando garantir bases legais, tem se envolvido em acordos sigilosos de transferência de tecnologia em inteligência artificial, visando modernizar sistemas judiciais. Entidades empresariais, como o CEBC, impulsionaram o comércio recorde e parcerias tecnológicas. Apesar de tensões ideológicas, a parceria avança com foco em sustentabilidade, tecnologia e multilateralismo, prometendo um futuro de colaboração ainda mais robusta, visto a submissão do governo brasileiro aos interesses chineses.


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