BLOG CASTRO MAGALHÃES

Editor: Carlos HB de Castro Magalhães (MTb 0044864/RJ)

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Editor: Carlos HB de Castro Magalhães, Registro Jornalista MTb 0044864/RJ

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Muitos reclamam que os presbiterianos (denominação à qual pertenço) não abrem igrejas em favelas. A resposta comum é que, quando alguém se rende ao Evangelho numa igreja presbiteriana, a tendência de sua vida é melhorar, resultando na saída dessa pessoa da favela — razão pela qual não há igrejas presbiterianas nas favelas.

Meu pai era um pastor batista renovado. Durante os 20 anos em que pastoreou uma igreja batista renovada, abriu várias missões, algumas em favelas e outras não. As missões abertas em favelas abençoaram tanto seus membros que muitos deles saíram das favelas — quer quando a missão já se tornara igreja estabelecida, quer até antes. Inclusive as próprias igrejas, uma vez consolidadas, também deixaram os morros e estabeleceram seus templos no asfalto: Peniel do São Carlos, Peniel do Rio Comprido, Peniel do Morro do Borel.

A verdade é que isso é um dado neotestamentário vinculado à ética de liberdade do cristão e não a uma teologia da prosperidade. Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios, tem uma seção em que fala exatamente disso — não só quanto à melhoria econômico-social da vida, mas também em outras áreas. Leia o capítulo 7 dessa epístola. Na verdade, trata-se de um ensino sobre a mobilidade da vida do cristão:

  • a mulher ou o homem cristão pode separar-se do cônjuge descrente se este quiser partir, e casar-se novamente;
  • o cristão não circuncidado pode progredir na sua vida cristã sem retroceder à circuncisão;
  • o escravo deve trabalhar diligentemente, mas, surgindo uma oportunidade legítima de deixar de ser escravo, deve aproveitá-la;
  • o homem ou a mulher, se não conseguem viver em continência (“queimando-se”), devem casar-se.

Lutero foi bem guiado por Deus ao falar sobre a vocação, mas a perspectiva dele é bastante estática, num contexto de uma vocação para a vida inteira — a ideia do sapateiro para a glória de Deus. A vocação estava no crente; era a vocação do crente. Como Calvino, Lutero considerava que todo ser humano tem uma vocação de serviço, para que o mundo não caísse em desordem pela tentação de cada um “abraçar o mundo com as pernas”. Calvino, porém, abre as portas para a mobilidade quando descobre nas Escrituras que o trabalho é vocação com sentido, isto é, faz parte da vocação o serviço a Deus e ao próximo. Ausentes esses propósitos, pode-se (e até deve-se) buscar outra posição. E mais: não é apenas sentido de serviço, mas de melhor serviço. Portanto, quando surge para o cristão uma posição em que possa servir melhor a Deus e ao próximo, ele deve ir para lá. É a vocação não do indivíduo em si, mas a partir do indivíduo.

Na minha área de trabalho, a advocacia, a prática forense sofre uma entropia profunda: a desordem torna o trabalho no foro sem sentido — seja pelo custo, pelo lapso temporal para solução dos problemas, seja pela carga descomunal de processos. Por isso, muitos profissionais migram para a advocacia extrajudicial, negociação e métodos alternativos de solução de conflitos. O advogado se movimenta, exercendo sua vocação a partir de seus dons e talentos, em vez de permanecer estático como advogado de tribunal, preso a um papel processual rigidamente definido.

Sem mobilidade não há crescimento na vida. O devocional para crescer na vida consiste em aproveitar as oportunidades para servir melhor a Deus e ao próximo. Isso inclui cultivar e exercitar atitudes, habilidades e competências para usá-las quando essas oportunidades — criadas por nós ou apresentadas a nós — aparecerem.


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