Na vida de hoje,
de tantos sabichões,
de cédulas de profunda argumentação,
da retórica do tintilar dos cobres,
não há mais limite,
não há mais razão,
medida ou condição:
a Dogmática jaz em um caixão.
No Direito,
na Teologia,
na Linguagem,
nas Ciências Contábeis,
nos jornais e em tantas outras áreas,
prevalece a vassalagem.
Nos tribunais,
nos púlpitos,
nas estórias e na história,
na escrituração,
na redação e muito mais,
o que vale
é a barroca sacanagem.
A decisão despolida,
de português mal redigida;
a pregação enfurecida,
encenada e bem mentida;
a estória inverossímil,
ideológica, quase crime;
a escrituração criativa,
que a fraude desativa;
o jornalismo sabujo,
para o editor encher o bucho.
Pensam que mataram a Dogmática,
como se o que é estabelecido
assim se desfizesse:
pela caprichosa vontade,
pelo poder da vaidade,
por um feitiço da Média Idade,
por uma crise de meia-idade,
por um furor como o da puberdade.
Lamento informar-vos,
assassinos da Dogmática:
isso não a mata.


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