Senhor, isto tudo é um deserto.
Há água, há gente, há sombra e fruta fresca,
Mas isso tudo é um deserto!
O corpo atrai-nos, a sensualidade definida, fixada;
Amigos humilhados pela autoexposição de suas mulheres;
Mulheres afligidas pelo olhar lascivo de seus maridos para outras;
Homens orgulhosos de suas mulheres adoradas;
Mulheres jactanciosas da volúpia de seus esposos.
Senhor, isto tudo é um deserto.
Há famílias, há casais, há alianças,
Mas isso tudo é um deserto!
O álcool escorre fácil, a coca, o ecstasy, o crack,
Aqui e acolá, ostensivo, acessível, garapa da alma,
Presunçosamente aliviando a dureza do sol causticante da vida,
Inebriando contra o calor que a luz da vida traz.
Senhor, isto tudo é um deserto.
Há copos, há comida, salões refrigerados, camarotes regalados,
Mas isso tudo é um deserto!
Há barulho, muito ruído, ruído da alma, na alma, no coração.
Velho samba, agora marcha, do exterior exaltação, até na popular arte:
Vituperação.
Senhor, isto tudo é um deserto.
Carnaval em nós, verdadeira quaresma, lamento interno na cidade do folguedo externo,
Lamento pelos humilhados, pelas traídas, pelos alcoólatras, pelos viciados, por todos os indignados.
Vou orando no deserto, na cidade como deserto:
Jesus Cristo, Filho de Deus, tem misericórdia de mim, que sou um pecador no meio desta cidade!
Por Carlos HB de Castro Magalhães


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