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Editor: Carlos HB de Castro Magalhães (MTb 0044864/RJ)

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O que aconteceu após a morte de Jiló no Morro dos Prazeres? Traficantes incendiaram ônibus, bloquearam ruas e mandaram fechar lojas no Rio Comprido. Esse mesmo padrão se repetiu em Chapadão, Serrinha, Dendê e Praça Seca nos últimos dois anos sempre que a polícia matou líderes do tráfico.

Tempo estimado de leitura: 2,3 minutos

No dia 18 de março de 2026, uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais resultou na morte de Cláudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló, de 55 anos, apontado como chefe do tráfico no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, região central da cidade. Além dele, outros seis suspeitos e um morador morreram no confronto. Horas depois, criminosos reagiram na área adjacente do Rio Comprido: atearam fogo em um ônibus na Avenida Paulo de Frontin, sequestraram outros veículos para bloquear ruas e, no dia seguinte, ordenaram o fechamento de comércios como forma de luto. Moradores e motoristas ficaram reféns do caos, com linhas de ônibus desviadas e ruas desertas. Esse episódio não foi isolado. Nos últimos dois anos, ações semelhantes se repetiram em várias partes da cidade, sempre após operações policiais que mataram líderes criminosos, mostrando como o controle territorial de grupos armados se estende muito além das favelas e afeta bairros inteiros.

O padrão começou a se intensificar em 2024. Em agosto daquele ano, após uma operação no Chapadão, na Zona Norte, que matou um traficante, criminosos sequestraram dez ônibus e três caminhões e os usaram como barricadas para impedir o avanço da polícia. Vias foram bloqueadas e o trânsito parou. Em 2025, os casos cresceram. Em julho, na Serrinha, 15 ônibus foram tomados e colocados atravessados nas avenidas durante outra ação policial. Dois meses depois, em agosto, na Ilha do Governador, bandidos do Dendê reagiram a uma operação que deixou mortos: sequestraram 12 coletivos, usaram a maioria como bloqueios e incendiaram um deles. O número de ônibus usados como barricadas dobrou naquele ano, passando de 119 registros em 2024 para 254 em 2025, segundo dados do sindicato das empresas de ônibus. Em outubro de 2025, uma grande operação nos Complexos do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 60 mortes, provocou o caos em escala maior: mais de 50 ônibus foram sequestrados em dezenas de bairros, da Avenida Brasil à Linha Amarela, passando por Rio Comprido, Tijuca e até São Gonçalo. Várias vias expressas ficaram fechadas por horas. No início de 2026, o mesmo aconteceu na Praça Seca, na Zona Oeste, em 16 de março: cinco ônibus foram atravessados na Rua Cândido Benício, bloqueando o tráfego sem necessidade de incêndio.

Em todos esses episódios, as fontes primárias — boletins da Polícia Militar e comunicados oficiais do Rio Ônibus — coincidem com o que jornais como O Globo, G1 e CNN Brasil publicaram. Vídeos gravados por moradores e compartilhados em redes sociais mostram criminosos armados em motos gritando ordens para fechar lojas ou motoristas sendo forçados a descer dos veículos. Não há indícios de fraude ou lenda: os fatos são confirmados por testemunhas, imagens e dados oficiais. As ideias que circulam nas redes, como acusações de conivência ou exageros sobre o tamanho das ações, ficam no campo da opinião e não alteram o que realmente ocorreu. A causa é clara e se repete: os grupos criminosos respondem à morte de seus líderes com demonstrações de força para mostrar que ainda mandam nos territórios, intimidar a população e dificultar o trabalho da polícia.

O que se vê no Rio de Janeiro é um ciclo que transforma operações policiais em crises que paralisam bairros inteiros. Da morte de Jiló no Morro dos Prazeres até os bloqueios anteriores em Chapadão, Dendê ou Praça Seca, o resultado é o mesmo: o comércio fecha, os ônibus param e milhares de pessoas comuns perdem o dia de trabalho ou o caminho de casa. Enquanto os grupos armados usarem essas táticas para reafirmar seu domínio, o problema não ficará restrito às favelas — ele continuará a invadir as ruas da cidade como um todo.


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