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Editor: Carlos HB de Castro Magalhães (MTb 0044864/RJ)

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A Polícia Federal investiga o Grupo Fictor por compartilhar uma estrutura de empresas de fachada usada também por células do Comando Vermelho para lavar dinheiro de origem criminosa. A Operação Fallax, realizada em 25 de março de 2026, tem como alvos o CEO Rafael Góis e ex-sócios, mas não aponta controle da facção sobre o banco, e sim o uso comum do mesmo mecanismo de fraude.

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A notícia que circulou nas redes sociais sobre uma suposta ligação entre o Banco Fictor e o Comando Vermelho ganhou corpo nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, com a deflagração de uma operação da Polícia Federal. O que começou como boato em posts e vídeos passou a ser tratado como fato por grandes veículos de imprensa após a divulgação de detalhes da investigação oficial, que aponta o uso de uma mesma estrutura financeira por empresários do Grupo Fictor e por células da facção criminosa para movimentar recursos de origem ilícita.

O Grupo Fictor, uma holding com cerca de 18 anos de atuação em setores como alimentos, infraestrutura e serviços financeiros, ganhou projeção nacional em 17 de novembro de 2025, quando anunciou a compra do Banco Master em consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos e a promessa de aporte de R$ 3 bilhões. A operação previa mudanças na gestão e até a troca de nome da instituição para Banco Fictor. Horas depois, porém, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, o que suspendeu o negócio. Nos meses seguintes, a Fictor enfrentou uma onda de pedidos de resgate de investidores, que somaram cerca de R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões, e entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2026 para reorganizar suas dívidas. Paralelamente, desde 2024 a Polícia Federal já investigava irregularidades em operações bancárias que envolviam a criação em massa de empresas de fachada, com capital social simulado, geração artificial de faturamento e pagamento cruzado de boletos para simular liquidez e obter crédito fraudulento em instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra. Em 25 de março de 2026, a PF deflagrou a Operação Fallax, com 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Entre os alvos estão o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, cujo celular foi apreendido, e o ex-sócio Luiz Phillippe Rubini. A PF informou que o esquema fraudulento movimentou mais de R$ 500 milhões e contou com a cooptação de funcionários de bancos para inserir dados falsos nos sistemas. O mesmo mecanismo, segundo as investigações, era usado por integrantes do Comando Vermelho, com indícios de que parte dos recursos tinha origem em células da facção, como o Bonde do Magrelo, atuante no interior paulista. Empresas ligadas à Fictor teriam atuado como núcleo de sustentação financeira, injetando recursos e gerindo as estruturas para dar aparência legal ao dinheiro.

A comparação entre as fontes primárias da PF e as reportagens de veículos de grande circulação, como G1, Folha de S.Paulo, Valor, Metrópoles e IstoÉ, mostra total convergência nos fatos centrais: a operação existe, os alvos são confirmados e a ligação com o Comando Vermelho é descrita como indício de uso compartilhado da rede de lavagem, não como controle direto da facção sobre a holding. Nas redes sociais, porém, o caso ganhou contornos de lenda urbana e especulação política, com posts que misturam a investigação a nomes de figuras públicas ou exageram o tamanho da fraude. Não há, até o momento, condenações ou provas definitivas; trata-se de investigação em curso. A defesa de Rafael Góis limitou-se a informar que prestará esclarecimentos assim que tiver acesso aos autos.

A causa por trás do fato investigado é clara: a exploração de brechas no sistema bancário por meio de empresas fictícias e conivência interna permitiu que recursos de origem criminosa, incluindo os do Comando Vermelho, circulassem com aparência de legalidade, ampliando o dano a bancos públicos e privados.

No fim das contas, o que as redes sociais apresentaram como “descoberta bombástica” revelou-se uma operação policial em andamento, com fatos documentados e ainda sujeitos a julgamento. O caso expõe fragilidades que permitem fraudes de grande escala, mas também lembra que, até prova em contrário, investigados não são condenados. Os desdobramentos judiciais definirão o alcance real da ligação e as responsabilidades de cada envolvido.


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