Dois papéis, um vínculo, na linha do tempo.
Do pai, celebração do amor do casal amigo;
Do filho, a confecção do divórcio dos agora inimigos.
Como se aquela alegria tivesse sido a destempo.
Lembro-me da alegria de meu pai,
como sorria e à congregação dizia: “Celebrai!”
O culto, a festa, os amigos, mesas vibrantes —
aos pés do maciço da Tijuca, todos cantantes!
Eis que passam os anos, décadas até.
Já morreu o celebrante, as vicissitudes da vida
encobriram a fé…
O filho, advogado, recebe o ex-casal.
Burocracia da vida: algo simples e formal.
Quando lê a certidão, vê o nome do celebrante.
A cabeça gira, mil memórias, a alegria de seu pai, o celebrante…
E então sorri aos amigos — não mais clientes —
e diz:
“Do casamento tem o meu sobrenome,
mas do divórcio não terá o meu nome!”


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