Qual foi a influência de Norman Vincent Peale na vida de Donald Trump? O pastor da Marble Collegiate Church, autor de O Poder do Pensamento Positivo, ensinou Trump a usar fé, otimismo e visualização de sucesso para superar desafios, uma lição que o acompanhou da infância nos anos 1950 até os dias atuais.
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O histórico religioso de Donald Trump reflete uma formação presbiteriana inicial na infância, seguida por décadas de contato com a Igreja Marble Collegiate, em Manhattan, onde o pastor Norman Vincent Peale exerceu forte influência pessoal e familiar.
Donald Trump nasceu em 1946 e cresceu em uma família presbiteriana no bairro de Jamaica, no Queens, Nova York. A mãe, Mary Anne, de origem escocesa, levava os filhos à Primeira Igreja Presbiteriana local, onde ele frequentou a escola dominical e recebeu, em 1955, uma Bíblia da igreja como presente. Em 1959, foi confirmado na mesma congregação. A família mantinha o costume de frequentar cultos regularmente, mas, a partir dos anos 1950, Fred Trump, o pai, sentiu atração imediata pelos ensinamentos de Norman Vincent Peale, pastor da Igreja Marble Collegiate, na Quinta Avenida. Peale havia assumido o púlpito em 1932 e, em 1952, lançou o livro O Poder do Pensamento Positivo, que se tornou leitura central na casa dos Trump. Donald, então com seis anos, acompanhava os pais nos cultos dominicais em Manhattan, ouvindo os sermões de Peale por décadas.
Peale, nascido em 1898 e ordenado ministro metodista, desenvolveu uma abordagem que ele chamava de cristianismo aplicado. Em seu livro mais famoso, defendia que a fé em Deus, combinada com atitudes mentais positivas, visualização de sucesso e oração diária, permitia superar obstáculos, conquistar saúde, felicidade e realizações materiais. Ele usava exemplos bíblicos ao lado de técnicas práticas de psicologia, como repetir afirmações de confiança e descartar pensamentos negativos. Não se tratava de uma teologia sistemática com ênfase no pecado, na graça ou na salvação eterna, mas de um método prático para a vida cotidiana, que muitos teólogos da época consideraram eclético e mais próximo da autoajuda do que da doutrina tradicional. Peale via o pensamento positivo como ferramenta para ativar o poder divino dentro de cada pessoa.
Essa mensagem encontrou eco imediato nos Trump. Fred e Mary passaram a frequentar a Marble Collegiate com os filhos. Donald casou-se pela primeira vez em 1977 na mesma igreja, com Ivana, em cerimônia celebrada pelo próprio Peale. Ele continuou a comparecer aos cultos por quase cinquenta anos, embora nunca tenha se filiado formalmente como membro. Em entrevistas e discursos, Trump repetiu que os sermões de Peale eram “incríveis” e que saía da igreja desapontado quando terminavam. Em 1983, Peale elogiou publicamente o jovem empresário como alguém “gentil e cortês, com um profundo traço de honestidade e humildade”. Trump, por sua vez, creditou ao pastor a formação de sua mentalidade de nunca pensar no negativo e de sempre visualizar o sucesso, mesmo em momentos de crise financeira, como a de 1990.
Peale faleceu em 1993. Trump continuou a citá-lo como “meu pastor” e uma das maiores influências de sua vida, inclusive durante a campanha presidencial de 2015, quando mencionou os sermões de Peale em eventos públicos. A Marble Collegiate, por sua vez, emitiu nota em 2016 esclarecendo que Trump não era membro ativo. Ele confirmou a informação, dizendo que não frequentava mais a igreja desde a morte do sucessor de Peale, em 2013.
Ao longo dos anos, a filosofia de Peale forneceu a Trump um quadro de referência que prioriza a autoconfiança e o otimismo como caminhos para vencer desafios, moldando tanto sua visão de negócios quanto sua forma de se apresentar publicamente. As fontes primárias — declarações do próprio Trump, o livro de Peale e registros da igreja — coincidem com reportagens de veículos como The New York Times e Politico, sem indícios de rumores, lendas ou fraudes. O que surge nas redes sociais costuma repetir essas mesmas informações, sem adicionar elementos novos ou contraditórios. A causa principal do vínculo foi a admiração mútua entre as famílias Trump e Peale, iniciada nos anos 1950 e reforçada por afinidade de valores: fé prática voltada para o sucesso e a superação pessoal.
Fontes consultadas:
- The New York Times, “Overlooked Influences on Donald Trump: A Famous Minister and His Church” (6 set. 2016).
- Politico Magazine, “Donald Trump 2016: How Norman Vincent Peale Created Him” (6 out. 2015).
- Washington Post, “How Trump got religion — and why his legendary minister’s son now rejects him” (21 jan. 2016).
- The Power of Positive Thinking, Norman Vincent Peale (1952, edições consultadas em fontes digitais).
- Peale Foundation (pealefoundation.org) e registros históricos da Marble Collegiate Church.
- Declarações públicas de Trump em eventos como Iowa Family Leadership Summit (2015).


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