Do céu a bênção desceu
De Deus sobre nós, brilhante,
Iluminando o desejo
De bisbilhotar cada instante.
Prazer em espiar a vida
Alheia, buscando em vão
Alguma derrota ferida
Que me alegre do irmão a aflição.
É a inveja, rainha do ódio,
Com séquito sedutor,
Que ao cristão tenta com gozo
Torná-lo um fariseu servidor.
Ante Pilatos o coloca,
Cavalgando o seu coração;
quer ver um que mata o Rei dos Reis,
Opondo-se à comunhão.
À Roma agrada a inveja,
Aos epicureus frios,
Que não podem sujar as mãos
Nem enfrentar o injusto.
Joguete, fantoche, espantalho
Ela faz do homem então,
Usado de mil maneiras,
Mil vezes vendido então.
Desde Caim ela caminha
De mãos dadas com a morte,
Como aos Gálatas o apóstolo
Mostrou com aviso forte.
Começa na ingratidão,
Alimenta-se da injúria;
Um pano colorido pode
Levar alguém à escravatura.
Mas o domínio de Deus
Controla tudo no final,
Nada escapa ao Seu poder,
Nem o veneno mortal.
Inveja então sussurra:
“Estamos só eu e você,
Bisbilhote e entregue-se,
Faça o adversário sofrer!”
Porém eu clamo com fé:
“Pelo Sangue de Cristo lavado,
De meus ombros, a Pilatos,
tu não verás mais reinado!”
Jesus Cristo, Filho de Deus,
Tem misericórdia de mim,
um pecador!
Abençoa e enriquece
Esse irmão que invejei,
Que pela vida dele eu possa
Dar o louvor ao meu Rei!


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