De acordo com pesquisa da EduBirdie divulgada em março de 2026, 47% das mulheres da Geração Z sonham com estabilidade familiar, casamento e filhos, contra 23% que ainda priorizam carreira e sucesso profissional intenso.
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Um vídeo compartilhado neste sábado, 4 de abril de 2026, pelo comentarista político americano Gunther Eagleman, no X (antigo Twitter), trouxe à tona uma discussão sobre os sonhos das mulheres jovens. No post, que já acumula milhares de visualizações, Eagleman afirma que as mulheres da Geração Z estão abandonando o ideal da “girlboss” – a mulher focada exclusivamente na carreira e na independência financeira – para adotar o estilo de vida da “tradwife”, ou esposa tradicional, priorizando família, casamento e filhos. O vídeo anexado é um trecho do programa “My View”, da apresentadora Lara Trump, na Fox News. Nele, Lara Trump comenta dados de uma pesquisa que mostram 47% das jovens classificando o caminho da vida estável e familiar como o principal sonho, contra apenas 23% que ainda escolhem o modelo de sucesso profissional intenso e fama.
A discussão não surgiu do nada. O conceito de “girlboss” ganhou força nos anos 2010, impulsionado por livros como “Lean In”, de Sheryl Sandberg, e campanhas que incentivavam as mulheres a colocarem o trabalho acima de tudo, adiando ou evitando casamento e maternidade. A partir de 2020, no entanto, redes sociais como o TikTok começaram a mostrar o lado oposto: jovens criadoras de conteúdo, muitas delas americanas, passaram a publicar vídeos românticos de rotina doméstica – cozinhando do zero, cuidando da casa e dos filhos, com o marido como provedor principal. Influenciadoras como Nara Smith viralizaram o estilo, misturando estética vintage com mensagens de paz interior. O que era nicho virou tendência cultural, especialmente entre quem relatava esgotamento mental após anos de ritmo acelerado de trabalho e redes sociais.
Em 26 de março de 2026, a plataforma EduBirdie, especializada em serviços acadêmicos, publicou os resultados de uma pesquisa feita com mulheres da Geração Z. Elas foram convidadas a escolher entre quatro perfis de vida ideal: o caminho “tradwife” (casamento feliz, filhos, estabilidade, com o homem como principal provedor e possibilidade de um emprego próprio), o sonho “girlboss” (sucesso, independência e fama, mesmo que custe relacionamentos), o estilo nômade digital e o de “trophy wife” (dependência total do parceiro). O resultado foi claro: 47% optaram pela vida familiar estável, 23% pelo sucesso profissional, 16% pelo nomadismo digital e 14% pela vida de esposa troféu. A pesquisa não detalha o tamanho exato da amostra nesta publicação, mas levantamentos anteriores da mesma empresa mencionam cerca de 2 mil respondentes. A EduBirdie apresenta os dados como reflexo de um desejo por “vida mais calma” e rejeição ao esgotamento do “hustle culture”.
A Fox News e perfis conservadores, como o de Gunther Eagleman, trataram o levantamento como prova de que o feminismo dos anos 2010 fracassou ao prometer realização apenas pelo trabalho. Já veículos como a Vice, que publicou reportagem sobre o tema quatro dias antes do post, descreveram a tendência como mistura de cansaço real com romantização nas redes. Nas respostas ao vídeo no X, usuários dividem-se: alguns celebram o retorno aos valores familiares; outros questionam se é viável economicamente, lembrando que o custo de vida alto obriga muitas famílias a terem dois salários. Não há, até o momento, dados oficiais de órgãos governamentais americanos ou brasileiros que comprovem queda real no número de mulheres trabalhando ou aumento imediato em casamentos e nascimentos entre as nascidas entre 1997 e 2012. O que existe é uma preferência declarada em enquete – um desejo, não necessariamente uma mudança de comportamento já mensurável.
O que motiva essa preferência parece ser uma combinação de fatores. Muitas jovens relatam burnout após anos de pressão por produtividade, estudos e redes sociais que exibem sucesso 24 horas por dia. A pandemia acelerou o questionamento sobre o que realmente importa. Ao mesmo tempo, o alto custo de moradia, educação e saúde torna difícil sustentar uma vida solo ambiciosa. Nas redes, a estética “tradwife” oferece uma narrativa acolhedora de segurança e propósito, mesmo que, na prática, muitas dessas criadoras lucrem com o próprio conteúdo online.
Em resumo, a pesquisa da EduBirdie e a repercussão no programa de Lara Trump e no X mostram que parte significativa das mulheres jovens sonha com equilíbrio entre família e vida pessoal, em vez de priorizar apenas a carreira. Se isso se traduzirá em mudanças concretas na sociedade – mais casamentos, mais filhos, menos foco exclusivo no trabalho – ainda depende de fatores econômicos e culturais maiores. Por enquanto, o movimento revela uma geração que, ao olhar para o futuro, valoriza a estabilidade afetiva tanto quanto o sucesso profissional.


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