Páscoa dos brasileiros egípcios, dos que não têm Faraó,
Mas a si mesmos fazem Faraó,
Páscoa dos brasileiros egípcios, Páscoa de nós mesmos,
que nos achamos cordeiro, faraó, anjo da morte e presepeiro.
Páscoa do brasileiro cordeiro, que a si se acha bastante, cortante,
uma espada de dois gumes que a tudo discerne num só instante.
Páscoa do tupiniquim faraó, que simula, trapaceia, engana sem dó,
Até as pragas do céu falsifica, confiando em seus bruxos de pó,
Num pingo das águas do Nilo amarra um nó.
Páscoa do brasileiro cordeiro, que parece ser guiado, inocente,
Fingindo a passiva conduta de um ingênuo crente,
Mas o que pretende é tirar vantagem mais à frente,
aqui e acolá, uma sinecura, uma bolsinha, um benefíciozinho, inocente!
Páscoa do brasileiro anjo da morte,
do que mata e deixa matar de sul a norte,
da maconha, da receptação, compadrio com o crime,
que dá vantagem e faz com que o lucro com a morte rime.
Páscoa do brasileiro presepeiro,
Fanfarrão absoluto, perpétuo mimeteiro
que só tem um neurônio – neurônio espelho!
tudo copia sem pensar — até a morte do Cristo!
E da Páscoa se faz, presepeiro!


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