BLOG CASTRO MAGALHÃES

Editor: Carlos HB de Castro Magalhães (MTb 0044864/RJ)

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Na manhã de hoje, durante a oração matinal, algo inesperado ocorreu. Embora eu tivesse dormido aliviado pela rejeição de Jorge Messias no Senado, um impulso no coração me levou a orar pedindo consolo e conforto para ele e sua família diante de tamanha humilhação pública. Ao orar, veio à mente o versículo bíblico que afirma que Deus corrige os filhos que ama, mas rejeita e abandona o bastardo.

Ontem, o Senado tomou uma decisão política. Espiritualmente, porém, ela representou uma correção divina — talvez um alerta contra o caminho da apostasia. A “pastorada” da Assembleia de Deus, desembargadores e ministros evangélicos, senadores e deputados, que o apoiaram, todos eles filhos de Deus, foram alvo dessa correção expressa pela rejeição de Messias.

A correção atingiu erros específicos de cada um. Para alguns, tratou-se da acomodação que enterra a vocação final para a qual foram chamados — uma acomodação ao estilo de Epicuro. Lutero, ao escrever sobre a autoridade secular, afirma que todos os servidores da justiça são vocacionados como qualquer outra profissão e que, ao desempenhá-la bem, nada há de errado. Não faz crítica ao príncipe que comanda o sistema, seja ele bom ou mau, justo ou injusto. Absorto na técnica, o cristão considera cumprido o seu papel. Essa visão gerou as críticas de Nietzsche, em “Vontade de Potência”, à passividade do povo alemão, que se submeteu ao totalitarismo nacional-socialista. Já Calvino, ao tratar da vocação para os negócios de Estado, inclui o dever dos oficiais subalternos de conter, retificar ou encerrar os atos maus dos governantes superiores.

Outra correção foi aplicada aos “epicureus grosseiros” — aqueles que mudam de lado conforme varia o poder, que voam nas asas de um e aterrissam nas de outro por não terem as próprias. Refere-se à “despacharia evangélica”: apoiadores que vendem a lã das ovelhas em troca de interlocutores que resolvam seus problemas junto ao estamento ou que buscam franquias junto ao poder.

Messias não é um bastardo. Foi bom que seu nome não tenha sido aprovado. Deus preserva os filhos que ama. Seus pareceres favoráveis ao aborto, à prisão dos idosos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e outras posições semelhantes podem ter chegado à presença de Deus. Sua nomeação serviria apenas de estímulo a outros cristãos do alto estamento burocrático brasileiro. Como epicureus que são, eles contribuiriam para a manutenção da tomada do Estado pelos revolucionários, fruto da omissão confortável de burocratas que não querem ser incomodados nem incomodar. No final, render-se-iam à soberba da vida — aquele pecado que Lutero descreve como o sentimento do homem que, ao fim de uma carreira, se orgulha de ter tomado boas decisões para o próprio progresso, mesmo que sejam imorais e anticristãs.

Em síntese, a rejeição de Jorge Messias no Senado, além de decisão política, atuou como instrumento de correção divina para líderes evangélicos influentes. O episódio revela tensões entre vocação cristã, exercício do poder e acomodação ao mundo, destacando a importância de permanecer fiel aos princípios bíblicos mesmo no âmbito público.


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