Injustiças do passado, retomadas, tão vivas,
Escabrosas vão clamando: “Ó! Vinga-me! Ó! Vinga-me!”
Fazem até perder o centro, interromper cristão alento,
Tal qual caçador fico atento para cumprir este intento!
Eis que o ódio, conselheiro, da cabeceira d’alma toma assento,
E começa um brainstorm de fantasias de justiçamento,
Vai buscando coisas práticas pra levar o tormento
A quem merecidamente tem que sofrer de modo lento…
Um conselho assim perverso, reunido no ferido d’alma,
Não espera a visita do Senhor que o mar revolto acalma.
Ele abre o seu livro, onde estão anotadas as mágoas,
Ele exibe o seu odre com o que dos olhos se faz água.
E então, a injustiça, noutra ponta lá da mesa,
Vê o ódio cabisbaixo, co’a perversidade e a malvadez,
Retirarem-se bem murchos, pois agora há certeza
Que a justiça há de ser feita, já não tenho mais tristeza!


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