Uma silhueta de mulher feita em gravura,
Tracejada, riscos não contínuos, interrompidos,
Descontínuos, espaços vazios, às vezes retomados,
tracejados, como desfazendo-se da existência. Agrura.
Saberes não contínuos, tracejados, do Google cuspidos,
da inteligência artificial como culto embalados, deslocados,
Saberes consumidos, esquecidos, tsunâmicos, intratáveis de dar dó,
De um pacote desidratado, como sopa que se compra em pó.
Se a vida e a felicidade são o resumido videoclipe, um momento,
Há de ter trechos vazios, outro reel, e depois outro tormento,
Outro vazio, sem sentido, dopamina para existir,
Uma vida tracejada, só composta de digital stories.
De um laboratório amostras, nacos existenciais,
dos intervalos dessas experiências digitais sensoriais,
Cato ao chão a minha máscara. Verdadeiro rosto: quem sou eu?
O vazio é quem tu és, o tracejado é o corpo meu.


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